Americanos gostam de filés bem grossos e mal passados, eu não.

Não gosto de carne mal passada, DE JEITO NENHUM! Imagina só minha surpresa, quando logo que chegamos a Flórida, em nossa primeira mudança internacional, no primeiro jantar em casa de americanos – que deixe-me ressaltar, adoram aqueles filés de contra, com osso, bem grossos, e sangrando – meu marido ao ser questionado como preferia seu filé respondeu ao anfitrião:

- Eu prefiro entre ao ponto e bem passado, mas a Adriana adora carne mal passada.

Que amor de pessoa! Ele não queria encarar a carne crua, mas não queria fazer desfeita ao colega de trabalho. Então, quem foi para a berlinda? A mulher! Vê-se logo que já éramos casados havia alguns anos.

Fazer o que? Tive que encarar. Acho que nunca fui a um jantar mais desafiante, nem os banquetes chineses, que eu viria a conhecer anos mais tarde, me deixaram tão desgostosa. Deve ser por causa do baijiu.

Logo que chegamos fiquei encantada com a decoração de Natal da casa. Era começo de dezembro e eu nunca tinha visto nada remotamente parecido. Papai e Mamãe Noel na porta, guirlandas por todos os lados, fitas nos balaústres da escada, arranjos com velas em todas as mesinhas de canto e aparadores, e o mais impressionante, apesar do exagero, tudo era de bom gosto, e o conjunto me fez pensar que estava na casa do Papai Noel, lá no Polo Norte. O mais interessante é que o anfitrião era um americano fofinho de bochechas cor de rosa, só faltou a barba para completar o quadro.

O casal nos convidou para sentar na sala de estar e nos ofereceu um petisco. Um “dip” de espinafre, que hoje em dia eu faço em casa. A palavra dip significa literalmente mergulhar. Dips são molhos variados que acompanham salgadinhos e bolachinhas. Você pega a batata chips por exemplo, e mergulha num dip de queijo, coisa pouco calórica, sem dúvida, mas que é gostoso, isso é.

Dip de Espinafre

Pois bem, ficamos sentados na sala beliscando fatias de baguette acompanhadas de dip de espinafre por duas horas. Façamos a matemática da fome, eu havia almoçado um pequeno sanduiche sozinha em casa a uma hora da tarde, nós chegamos na casa deles, conforme o convite, as oito horas da noite, e ficamos jogando conversa fora por duas horas na frente de um potinho de sobremesa de dip e outro de fatias de baguette. Se somarmos todos estes fatores chegaremos ao resultado: fome de três dias. E detalhe, o tema principal da conversa foi como eu falava inglês tão bem, que eles nunca haviam encontrado brasileira que falasse inglês como eu. O que até ajudou um pouco com a fome, pois eu fiquei mordendo a língua para não responder que eu era uma mutante, pois na verdade no Brasil, a gente ainda anda nu pelas ruas e só fala tupiniquim ou espanhol.

Chegou um momento, que meus pensamentos irônicos não deram mais conta de distrair meu estomago colado nas costas, e perguntei, assim como quem não quer nada:

-       Vocês costumam jantar tarde assim todos os dias?

-       Não, nós jantamos as oito. Vocês estão com fome? É que nós fomos jantar em casa de Argentinos, e notamos que vocês costumam comer tão tarde.

O marido da fofa, que trabalhava com meu marido havia anos, percebendo a gafe tratou de esclarecê-la:

-       Meu bem eles são brasileiros, não argentinos.

-       Ah…

T-bone Steak

Finalmente fomos para a cozinha onde nossa anfitriã pegou um pacote de vagem congelada do freezer e colocou no micro ondas. Então fomos todos para o pátio onde nosso anfitrião nos mostrou sua churrasqueira todo orgulhoso. Churrasqueira aqui chama-se “grill” e é a gás. Ele então nos mostrou os T-bone steaks e acendeu o grill. Após uma elaborada apresentação, onde ele nos deixou saber que aqueles eram steaks especialíssimos, e que o certo era comê-los o mais mal passados possível, para saborear as nuances da carne, e que todas as vezes que ele foi ao Brasil ele achou que nós brasileiros ressecamos demais a carne, veio a declaração do meu marido que eu adorava carne mal passada. Show!

Eu voltei para a cozinha com a dona da casa pensando que ela iria refogar a vagem com algum molho qualquer, e qual não foi minha surpresa quando ela tirou o pacote plástico do micro, rasgou, despejou a vagem semi-cozida num prato, e levou para a mesa de jantar lindamente posta. Daí ela pegou outro pacote plástico da geladeira, abriu e despejou umas folhas de salada numa tigela, e levou também para a mesa. Pronto, ela avisou ao marido que o jantar estava servido.

Ele então trouxe os filés para a mesa como se fossem suflês preparados por um chef do Le Cordon Bleu, colocou o de cada um nos pratos a nossa frente, e voilà!

Se você somar a fome, a vagem crua e a salada mal apresentada, o filé sangrento acabou sendo comido com relativa facilidade.

Naquela noite eu aprendi o que é um churrasco americano, e a nunca ir a casa de estrangeiros que você não conhece bem, sem forrar o estomago antes. Ah, e meu marido dormiu na sala uns três dias.

Tiramissú

Uma das minhas sobremesas favoritas é o tiramissú. E, depois que aprendi essa receita, capaz de provocar brigas pelo último pedaço, ficou ainda mais fácil apreciá-la! Demora menos de 30 minutos para preparar e sempre dá certo! 

Ingredientes para 4 porções:

4 gemas de ovo

4 colh. de sopa de açúcar

500 g de queijo mascarpone

1 colh. de chá de casca ralada de limão (de preferencia do amarelo)

2 xicrinhas de expresso frio

2 cl de conhaque (na Alemanha encontra-se o Weinbrand)

2 cl de licor de amêndoas (o Amaretto)

150 g de biscoito champagne

2 colheres de cacau em pó para polvilhar

Preparo:

  1. Bata as gemas de ovo com o açúcar até formar um creme claro e fofinho. Misturar colher a colher o mascarpone até incorporar tudo. Adicione a casca ralada do limão para o toque fresco.
  2. Em uma vasilha misture o expresso frio, o conhaque ou Weinbrand e o licor.
  3. Molhe a parte de baixo dos biscoitos na mistura acima, um a um, e vá arrumando na travessa até forrar o chão todo.
  4. Espalhe mais ou menos a metade do creme de mascarpone sobre os biscoitos e alise uniformemente. Repita a operação com os biscoitos e o restante da massa.
  5. Cubra com filme plástico e leve à geladeira por 4 horas. Antes de servir pulverize o pó de cacau por cima.

Sugestão: quem tem crianças que também comem o doce (meu filho não gostou), pode substituir as bebidas alcoólicas por uma parte de suco de laranja diluído em água (creio que deva funcionar, nunca tentei mas em princípio combina com o sabor das cascas de limão) e usar café descafeinado para o expresso.

Agora, alguém poderia dar uma sugestão de como aproveitar as claras dos ovos que sempre sobram… :-)

Poligamia

Nos Estados Unidos a poligamia é praticada livremente por membros fundamentalistas da religião Mormon. Apesar desta prática ser contra as leis americanas, eles dizem que ela faz parte dos seus direitos de exercer livremente suas crenças religiosas. A liderança da religião condena a união de um homem com várias mulheres, e chega a excomungar quem segue praticando valores fundamentalistas. Já os fundamentalistas criticam os Mormons que seguem as novas regras estabelecidas em 1890. Eles dizem que esta não foi uma decisão baseada nos valores da religião, mas sim na aceitação da pressão da sociedade em geral. Hoje nos Estados Unidos, os Mormons são mais de 14 milhões, 20 mil deles se autodenominam fundamentalistas, e estima-se que 15 mil ainda pratiquem a poligamia. De um jeito ou de outro, os seguidores da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ainda são estigmatizados pela sociedade, por ter suas raízes vínculadas a este costume.

O tema controverso atrai telespectadores, e dois shows já foram produzidos para a TV. O fictício Big Love – Grande Amor, mostra a relação de um Mormon poligamista com suas três mulheres. E o chocante Sister Wives – Esposas Irmãs, é um reality show sobre uma família onde um homem é casado com três irmãs.

Ano passado os Fundamentalistas da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tiveram que parar e rever certas liberdades “religiosas” quando o “profeta” Warren Jeffs foi preso por estupro e pedofilia. Condenado a prisão perpétua ele segue tentando controlar seus 10.000 seguidores que vivem em duas cidades vizinhas na divisa entre Utah e Arizona. No fim do ano passado, de dentro da cadeia, ele enviou ordens à sua comunidade mormon fundamentalista para que todos parassem de fazer sexo. Em junho deste ano ele emitiu nova ordem dizendo que 15 homens, que Deus escolheu, devem ser os pais das novas gerações da comunidade. Os maridos devem parar de ter relações com suas esposas, que devem ficar disponíveis a estes 15 homens. Os maridos serão simplesmente responsáveis pelo sustento e pela criação das novas gerações. As autoridades dizem que este é um gesto desesperado de Jeffs, para manter sua relevância entre os fundamentalistas, mas surpreendentemente dentro da comunidade seus seguidores continuam acatando suas ordens.

Quando cheguei aos Estados Unidos e tomei conhecimenbto da existência destas comunidades onde a lei e a justiça dão lugar ao fanatismo, e onde abusos como estes levam anos para serem investigados e processados, e bandidos como Jeffs seguem dando ordens absurdas de dentro da prisão, fiquei chocada. Imaginem minha reação ao ler o artigo da BBC Brasil hoje sobre “união estável de três“. Seria interessante que a tabeliã da cidade de Tupã se familiarizasse com as ramificações de suas declarações:

“O fato de eles viverem de tal jeito não afeta a minha vida, é a liberdade privada deles. Gostaria que fosse muito simples: você vive como quer, do jeito que quer, não afeta a vida dos outros, e ninguém tem que se intrometer. Mas a realidade no Brasil, como nós sabemos, não é essa”, diz a tabeliã de Tupã.

“No Brasil ainda se pensa muito de forma individual. Se algo não é bom para mim, não é bom para ninguém. Tudo bem, eu continuo não querendo para mim, mas eles não me afetam, vivendo em três, ou em cinco. Agora me afetam, por exemplo, quando fazem de conta que têm um casamento maravilhoso mas têm dois amantes, três amantes. Isso me afeta, fazer de conta que não sei”, complementa.

Ver uma tabeliã pensando exclusivamente em seus valores pessoais e não como uma relação destas pode afetar suas vítimas, como as crianças, fruto de tais relações, assim como as jovens forçadas, muitas vezes por falta de recursos, a tais relacionamentos, me chocou tanto quanto as comunidades fundamentalistas Mormons.

Para quem lê em inglês este ótimo artigo “Is Sister Wives hiding the disturbing truth about polygamy?” oferece alguns pontos para reflexão. Neste texto, Sam Brower, que é detetive particular e fez sua carreira ajudando vítimas das Comunidades Fundamentalistas da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias fala, não apenas das meninas vítimas de abusos, mas dos meninos que ao atingirem a adolescência passam a ser considerados concorrentes dos homens com várias esposas adolescentes, e são banidos das comunidades. Qualquer semelhança com animais irracionais, que mantém várias fêmeas, e matam os concorrentes, não é mera coincidência.

Um Primeiro Dia da Escola memorável

Há duas semanas começou o ano letivo no Estado onde moro. Esse início de aulas me fez querer compartilhar com meu(s) leitor(es) minha experiência de início das aulas no ano passado, quando meu filho foi para o 1o. ano da escola.

Da minha infância lembro-me que estava de uniforme novo, todo arrumadinho e limpinho, mochila nova, cabelo penteado e, ao sair de casa, minha mãe tirou uma fotografia. E só. E talvez me lembre porque vi a fotografia tempos depois! Eu fui para a escola não lembro como, ela foi trabalhar e meu pai já estava no trabalho como qualquer outra segunda-feira.

Aqui a passagem da pré para a escola primária (ou ensino fundamental, como se chama hoje no Brasil) é bem diferente. As crianças que irão para a escola entram num programa especial do Kindergarten (creche) que as prepara para a vida escolar. Uma série de atividades internas e passeios são programados, inclusive um pernoite de despedida no Kindergarten!

Além disso, entram no programa a visita na nova escola. Na matrícula a criança está presente. Há também uma avaliação psicológica e pedagógica na creche e uma outra de saúde feita por um pediatra especializado. Não passa nada despercebido!

Outra sensação é a mochila escolar. Como tudo aqui, tem que ser aprovada pelos órgãos de proteção ao consumidor, obedecer a critérios técnicos e de ergonomia e ainda ser capaz de resistir por 4 anos chuva, barro, neve, chutes, peso e todo tipo de agressão que se possa imaginar. E ainda, se possível, passar para o irmão mais novo! Conclusão: nunca achei que fosse gastar tanto com uma mochila da escola!

E então, tendo sido aprovada em todos os testes, comprado a mochila e a matrícula confirmada pela escola, chega o grande dia! O dia da iniciação escolar!

É um dia tão especial que nem acontece na segunda-feira, mas na terça-feira.

Logo de manhã as crianças ganham um cone fechado em cima (às vezes uma de cada membro da família) cheia de doces, brinquedos e, claro, algumas coisinhas mais educativas, como livrinhos, canetinhas, etc). Essa história do cone eu incorporei, pois desde que moro aqui vejo-as por todo o comércio nessa época do ano. Mas mãe que é mãe (e prendada) confecciona-o manualmente! Não cheguei a tanto, por sorte o Gabriel escolheu uma de dinossauro, prontinha… ufa!

Então todos se reúnem na igreja para um culto ecumênico com os iniciantes e seus familiares. Em seguida todos seguem para a escola, onde são recebidas com uma festa  organizada pela diretoria, corpo docente e as crianças da 2a. série. Após a recepção, cada uma encontra sua professora e são encaminhadas junto com os colegas para a sala de aula.

Beleza, pensei, eu vou acompanhar isso tudo! E os avós também!

Aí é que tomei um choque! No que chego na igreja, percebo que os outros alunos estavam com TODA a família presente. Aí descobri que o pai também tira o dia de férias para acompanhar o rebento no primeiro dia da escola. Aí vem os tios, padrinhos, avós, irmãos, amigos mais próximos da família, cachorro (no Brasil incluiria-se o  papagaio, galinha, porco, etc).

Nós nem pensamos nisso! E é uma coisa tão “óbvia” para eles que nem se comentou em conversas. É subentendido… Coitado do meu filhinho… o único “sem pai” no primeiro dia da escola… Se já não tivesse acostumada com a ausência dos membros da família em outras ocasiões, isso seria uma tragédia mesmo. Ainda bem que os avós estavam lá!

Passado o alvoroço todo, as famílias alemãs se reúnem mais uma vez no dia para uma festa particular. Pode ser um churrasco ou uma janta especial no fim do dia. Pra fechar com chave de ouro! Parece batizado… Nós fomos para o grande M amarelo comemorar. Para o pequeno foi realmente uma festa levar sua família para lá.

Mas será que a vida escolar é tão ruim assim pra ser vendida tão “cara” às crianças? Ou elas precisam desse ritual para sentirem que alguma coisa muito importante está acontecendo?

De qualquer forma, essa iniciação escolar ficou em nossas memórias como um momento muito mais especial do que imaginávamos!

Lombo ao Molho de Tequila

Esta receita eu adaptei do livro “O Segredo de Frida Kahlo” onde você poderá encontrar muitas outras receitas mexicanas.

Este é um prato bonito e apetitoso, que pode ser acompanhado do trivial brasileiro: salada mista, arroz, feijão, farofa e batatas coradas. Claro, se você preferir ser fiel a origem da receita, faça refritos com arroz e plátanos fritos. E não esqueça das tortilhas com guacamole e queso para petiscar.

Ingredientes:

Um lombo de porco de mais ou menos 1 ½ kg;

15 azeitonas verdes sem caroços cortadas em rodelas finas;

½ pimentão verde sem sementes cortado em tiras finas;

1 pimentão vermelho sem sementes cortado em tiras finas;

4 dentes de alho bem picados;

Pimenta do reino a gosto;

Sal a gosto;

2 colheres de sopa de óleo de sua preferencia;

1 xícara de água;

1 xícara de tequila “Reposado”;

1 colher de sopa de manteiga fria;

1 colher de sopa de farinha de trigo;

Molho de pimenta vermelha a gosto.

Preparo:

Aqueça o forno a 180ºC.

Lombo de porco aberto em corte borboleta, recheado, e pronto para ser amarrado.

Com uma faca afiada faça um corte no meio do lombo em todo o seu comprimento, chegando quase até o lado oposto, mas deixando as partes unidas, abrindo-o num corte borboleta. Esfregue-o com pimenta do reino e sal a gosto. Na parte de dentro do corte arranje os pimentões cortados, o alho e as azeitonas. Feche o lombo, prenda-o com palitos, amarre-o com barbante de cozinha e remova os palitos.

Aqueça o óleo em fogo alto numa panela funda grande o suficiente para acomodar o lombo. Doure completamente o lombo fritando todos os seus lados e as pontas. Transfira-o para uma assadeira (com grelha se você tiver), crescente a água no fundo da assadeira, cubra com papel alumínio e leve ao forno por 45 minutos.

Remova o papel alumínio, acrescente a tequila e volte ao forno por mais 30 a 45 minutos.

Retire do forno e coloque numa travessa para descansar enquanto você prepara o molho.

Deixe que a carne descanse por pelo menos dez minutos antes de fatiar.

Com as pontas dos dedos, misture a manteiga fria com a farinha de trigo até que formem uma pasta amarela. Transfira o caldo da assadeira para uma panela em fogo médio. Quando começar a ferver abaixe o fogo e vá acrescentando a pasta de manteiga aos poucos esperando que um pedaço se dissolva antes de acrescentar outro, mexendo sempre com uma colher de pau. Quando toda a pasta de manteiga tiver se desmanchado no molho, siga mexendo até que o molho tenha uma consistência de mingau mole. Ajuste o sal e se quiser acrescente o molho de pimenta vermelha a gosto.

Despeje o molho em uma molheira, desamarre e fatie o lombo, e bom apetite.

Se você, como eu, tem restrições a pele dos pimentões, basta assá-los por 40 minutos no forno a 220 graus, e remover a pele antes de cortá-los em tiras para rechear o lombo. Dá um pouco mais de trabalho, mas vale a pena.

Medicamentos Genéricos no Brasil

Medicamentos Genéricos - São Seguros?

Passei um sufoco danado em minha última visita ao Brasil. Minha filha levou várias picadas de borrachudo em nossa estada no litoral norte de São Paulo. Até aí toda a nossa família levou, mas ela coçou e coçou as picadas, até que essas se inflamaram e acabaram infeccionadas.

A pediatra prescreveu uma série de medicamentos para tratar as feridas, incluindo um antibiótico. Como estamos acostumados a comprar medicamentos genéricos nos Estados Unidos, nem questionamos quando nos deram o remédio genérico na farmácia, simplesmente pagamos e pronto.

Iniciamos o tratamento na maior tranquilidade, as feridas eram feiosas mas localizadas, ela não tinha nem dor nem febre, e a pediatra nos disse que em quarenta e oito horas deveríamos ver sinais de melhora.

Na manhã do terceiro dia após o inicio do tratamento, ou seja, passadas quarenta e oito horas, minha filha amanheceu com os pés inchados e doloridos. Estavam muito feios, levei o maior susto. Fomos ao pronto-socorro onde recebemos a noticia que a infecção havia atingido a camada subcutânea e que ela deveria ser internada imediatamente para receber medicação intravenosa, pois o antibiótico que ela estava tomando via oral não havia feito um bom trabalho.

- Mas este não é o medicamento indicado?

Perguntei eu ao pediatra do hospital mostrando a caixa do antibiótico.

- Ah, você comprou genérico.

Me respondeu o médico naquele tom de quem acaba de desvendar um quebra-cabeças. Ele me explicou que infelizmente nem todos os genéricos brasileiros seguem padrões de qualidade de “primeiro mundo”. Apesar do Brasil ser um grande exportador de medicamentos genéricos, somente países subdesenvolvidos e em desenvolvimento compram. Nem a Europa nem os Estados Unidos compram genéricos brasileiros por questões de baixo controle de qualidade.

Ou seja, se eu tivesse comprado o medicamento de referência, que é como se chamam os remédios da marca oficial, teríamos evitado uma estada de quatro dias no hospital, e muito nervoso.

Pesquisa feita pela Asspociação de Consumidores Proteste (clique no link e veja documento completo – Pesquisa Genéricos v3.1) demonstra que um percentual respeitável de médicos tem restrições ao uso de medicamentos genéricos no Brasil, conforme demonstra a análise publicada no site do CFR-ES – Conselho Regional de Farmácia do Espirito Santo, baseada no estudo.

Aparentemente alguns laboratórios oferecem controles de qualidade superiores, portanto se for optar por medicamento genérico no Brasil, converse com seu médico, pergunte se o remédio receitado tem genérico de qualidade, e que laboratório ele recomenda.

 

Peixe fora d’água

Essa foi minha primeira Olimpíada “consciente” que eu assisti morando no exterior. Digo consciente porque em 2008 meu filho ainda estava pequeno e eu tinha muitas outras prioridades além de ficar olhando esporte na televisão… desculpe, mas foi assim mesmo.

Mas nesses Jogos Olímpicos de Londres a situação foi outra. Meu filho, agora com quase 7 anos, de férias, fissurado em futebol e cheio de energia, pôde ficar muitas noites até mais tarde para ver os jogos. Se encantou com a natação (o que até o inspirou a tentar o nado borboleta no lago aqui perto de casa!), o atletismo, a canoagem, o hóquei, o levantamento de peso, cintando os que ele teve a oportunidade de assistir. Note que em nenhum desses esportes o Brasil conquistou medalhas ou era um forte candidato….

Dava-me gosto de vê-lo acompanhar e me chamar quando havia um brasileiro disputando e torcer pela nossa vitória, reconhecer a bandeira, os nomes… Mas há momentos em que a gente se sente mais expatriado do que nunca!

O que me fez sentir mais “peixe fora d’água” foi o fato de sempre querer ver algo diferente dos outros 80 milhões de pessoas que vivem aqui. Havia somente 2 canais televisionando os jogos que, obviamente – para eles, priorizava onde haviam alemães ou, pelo menos, europeus competindo. Então passei a semana inteira vendo atletismo e os fortões do levantamento de peso, enquanto o Brasil jogava vôlei de quadra e de praia, futebol, basquete, judô…

Conclusão: acompanhar, mesmo, só pelo App do celular!!!

Os únicos jogos do Brasil que assisti foi a final do vôlei de praia e do futebol! Os dois em que o Brasil perdeu… E ainda porque a final era contra um time europeu! Pensei que ia ser fácil… eles nem sabem jogar vôlei de praia… eles nem têm praia, cáspita! :-)

Passada essa “revolta”, ontem assisti à festa de encerramento do evento. Comentários à parte – a festa foi mesmo de arrepiar – fui invadida por um orgulho e uma emoção imensa ao ouvir o Hino Nacional naquele estádio lotado, ao perceber que as pessoas de todas as nacionalidades e culturas estavam apreciando a pequena “introdução” ao que será daqui a 4 anos. O locutor dizia que já estava imaginando a Olimpíada no Brasil, que o nosso povo certamente vai garantir o alto astral para todos…

E na verdade, não menosprezando nossas qualidades de competição (nós tivemos excelentes surpresas em Londres e vamos caminhar mais ainda para frente), nosso maior talento é sermos o que somos: alegres, divertidos, musicais, excelentes anfitriões. Um povo que acolhe quem quer chegar e já o convida para sambar!

Eu já estou ansiosa por 2016! E quero fazer de tudo para viver essa emoção, no meu país!

Couve-de-Bruxelas ao Molho Bechamel

Couve-de-Bruxelas

A couve-de-bruxelas é rica em sais minerais, principalmente fósforo e ferro, e contém vitaminas A e C, ambas importantes para a vista e para a pele. Que ótimo! Mas como convencer os pequenos? Pois é, eu desenvolvi uma receita aqui em casa usando um velho truque francês, molho. Os franceses são famosos por seus molhos, e realmente eles complementam vários ingredientes como se fossem feitos um para o outro. Considero este o caso do molho bechamel com a couve-de-bruxelas.

Ingredientes:

½ kg de couve-de-bruxelas limpas e cortadas ao meio;

2 ½ colheres de sopa de manteiga;

2 colheres de sopa de farinha de trigo;

2 xícaras de leite integral (senão não fica cremoso, é assim mesmo, francês não economiza na manteiga e nem no leite gordo, daí as porções pequenas);

Uma pitada de noz moscada;

Sal a gosto;

150g de queijo suíço (Emmental) ralado grosso, se você preferir mais queijo, não se acanhe.

Preparo:

Pronta para ir ao forno.

Cozinhe as couves-de-bruxelas no vapor (eu uso aqueles suportes de bambu chineses) até que fiquem macias, porém ao dente (leva de dez a vinte minutos dependendo do tamanho das bolotinhas), e reserve.

Ligue o forno para aquecer a 200ºC.

Aqueça uma panela para molho em fogo médio, derreta a manteiga e adicione a farinha de trigo aos poucos mexendo sempre com um fuê (aqueles batedores com aros trançados – detalhe, o fuê não pode ser usado em panela de tefall). Você verá uma pasta amarelada no fundo da panela. Passe a acrescentar o leite, bem devagar e mexendo sempre, de ¼ de xícara em ¼ de xícara. Somente acrescente outro tanto de leite quando o anterior estiver bem incorporado. Em seguida acrescente a noz moscada e o sal a gosto (a gosto quer dizer ponha um pouco e prove até ficar bom).

Junto com arroz branco e uma saladinha, acompanha bem assados e grelhados. Só de escrever já me deu uma fome!

Em uma travessa refratária arranje as couves-de-bruxelas e acrescente o molho bechamel, misture até que todas as couves-de-bruxelas tenham uma camada fina de molho. Cubra com o queijo suíço e leve ao forno para gratinar por 15 minutos. Voilá!

O que a Suíça tem a ensinar?

Hoje, 1o. de Agosto, é o Feriado Nacional da Suíça. Comemora-se o dia em que, em 1291, foi criada a Confederação Suíça. O nome Schweiz (em alemão) origina-se do antigo cantão de Schwyz.

O jornal alemão Die Welt publicou hoje uma matéria na qual sugere que o país deva ser tratado “com mais respeito”, pois ele tem muito a ensinar aos países que estão atualmente em crise, pelo seu modelo econômico e politico bem sucedido.

Na década de 1940 seus vizinhos de mapa não eram lá muito amigáveis: a Alemanha nazista ao norte, a Itália fascista ao sul, no oeste a França dominada pelos nazistas, Áustria. O único país fiel a Berna – e com a qual mantinha um acordo alfandegário – era Liechenstein, uma monarquia hereditária que não possuía exército e tinha um território de 160 quilômetros quadrados. Com toda essa pressão externa, a Suíça desenvolveu um plano de defesa de seu território que, em caso de ataque dos alemães, envolvia a rendição das planícies entre as montanhas Jura e os Alpes e uma uma retração nos Alpes, que seria defendido até o último homem.

No período pós-guerra, entretanto, a Suíça foi um dos poucos países que, em todos os níveis, tentou integrar a recém formada Alemanha na Europa. Isso os alemães têm a agradecer. O pós guerra foi um período de desenvolvimento sem precedentes na história do país. A Suíça em si não é um país rico, vive do trabalho e da capacidade inovativa de seus cidadãos, além de sua posição geográfica estratégica no coração da Europa. Por isso mesmo foi repetidamente invadida e roubada pelos países mais poderosos, antes do século 20.

Só conseguiu sobreviver como nação porque desenvolveu uma “Idée Suisse”, um conceito de identidade nacional associado a uma administração descentralizada e participativa dos cantões (similares aos Estados). Além disso, como é conhecido, os 4 grupos (germânicos, franceses, italianos e romaneses), a caracterizam como o primeiro país multicultural do mundo. Isso não seria possível se não houvesse uma forte proteção às minorias, uma participação de todas as línguas em todos os níveis da administração pública e principalmente uma descentralização administrativa e econômica.

A Suíça é um dos países que mais usa, se não o que mais usa, o sistema de consulta popular para tomar decisões – e em todos os níveis: de decisões sobre o número de dias de férias, passando pelo sistema de saúde e incluindo os contratos governamentais.

Além disso, a Suíça já tem um sistema de controle de gastos públicos desde 2001 (ano em que a Grécia entrou para a Comunidade Europeia), também decidido por plebiscito. Nos últimos anos sua economia produziu um superávit de 0,7% do PIB ao ano, o que na Alemanha não acontece desde 1969…

É comum ignorar-se o fato da Suíça ser, na verdade, uma potencia industrial. O valor de sua produção é o dobro do gerado em Cingapura ou Noruega. E é através do uso de automação que ainda é possível produzir no país, apesar dos altos custos com mão-de-obra. Outro número que impressiona: a Suíça exporta 80% a mais per capita que a Alemanha, isso sim é um “campeão de exportação”!  Em contrapartida, o setor financeiro é responsável por apenas 15% do PIB. Os impostos gerados por esse setor correspondem apenas entre 12 e 16% do total arrecadado.

Aliás, os investidores estrangeiros chegaram à Suíça porque, há algumas décadas atrás, recebia-se juros até mesmo negativos por seus investimentos em outros destinos. A Suíça oferecia segurança política e econômica, sem inflação, o que era raro na época. Além do mais, a Suíça é quase imbatível em termos de segurança de dados…

Sua nudez não será castigada!

Viajar de férias é uma das melhores coisas a se fazer na vida. Seja para onde for, sempre há muito o que observar. Dessa vez vou compartilhar com meus leitores uma peculiaridade das praias espanholas que para mim, como brasileira, chamou muito a atenção: a nudez nas praias.

A primeira vez que fui à uma praia espanhola, há 4 anos, foi na ilha de Fuerteventura. A ilha tem inúmeras praias, algumas mais habitadas, outras desertas, algumas com ondas gigantes, outras com água calma e cristalina, como se fossem piscinas naturais. Um paraíso na Terra certamente.

Pois bem, escolhemos nossa praia de destino, arrumamos nossa tenda para um belo dia de verão na praia.. Quando olho em volta, uma porção de gente sem roupa! Homens e mulheres nus ou de topless à beira-mar. Eu conheço certas pessoas que essa situação causaria, no mínimo, um ataque de risos….

Não esperava ver nudez numa praia bem frequentada por pessoas não-nuas, mas enfim, depois de morar alguns anos na Alemanha ouvindo histórias sobre saunas mistas em família e vendo pessoas trocarem suas roupas de banho em pleno lago lotado à luz do dia, certas coisas não me deixam mais embaraçada.

Curtimos nossos dias de praia e nos deparamos algumas vezes com peladões e mulheres de topless, apesar de haver praias de nudismo na ilha. Pensei que a ilha paradisíaca inspirasse essa liberdade nas pessoas…

Dessa vez fomos à várias praias na Espanha continental, no litoral do Atlântico e no litoral Mediterrâneo. Fomos a praias de cidade e afastadas. Fomos de Guarujá-Pitangueiras à Ilha Bela na alta temporada, se é que você me entende… Praia de surfista, de “bicho-grilo”, de família, de solteiros, de gente que quer sossego. E em todas elas encontramos gente nua ou sem a parte de cima dos biquínis… Eu comecei a observar as pessoas que estavam nuas, não para olhar a nudez em si – afinal eu sei exatamente o que cada um tem – mas para descobrir que tipo de gente tem a coragem de mostrar seu corpo assim, pra todo mundo?

Descobri que eram pessoas como eu, como você, como minha mãe ou pai, ou avó, ou tia, ou tio, ou primo, ou prima…. Famílias chegam com seus aparatos de praia, as crianças pegam o baldinho e a pá para brincar, o pai vai jogar bola com o filhinho e a mãe, o que faz? Tira o sutiã!!! Normal, não? Deve ser uma sensação interessante estar sem sutiã num lugar onde há pelo menos 100 pessoas em volta que você nunca viu na vida…

A cena mais curiosa, pra não dizer engraçada, foi nosso primeiro dia em San Sebastián. Estávamos caminhando na praia a caminho do centro para jantar e, de repente, um homem peladão saindo do mar passa por nós. Era um homem de meia idade, barrigudo e peludo, na maior naturalidade.  E então ele se deita na areia, ao lado de um amigo, que não estava nem de roupa de banho, e começam a conversar: “Que banho de mar delicioso! Você viu a notícia do jornal de hoje?”. Imagine um brasileiro fazendo isso?

Como pode o espanhol ter uma relação com a nudez tão aberta e nós, o país onde todo mundo anda quase pelado no Carnaval e termos os menores biquinis do mundo, sermos tão conservadores? É uma questão que me deixa por vezes confusa. E é talvez por isso que os estrangeiros, melhor dizendo, os europeus acham que seria de se esperar que nós tivéssemos uma abertura maior em relação a isso.

Quem sabe da próxima vez eu me animo e entro na onda? Na Espanha minha nudez certamente não seria castigada…