Valentine’s Day não é Como o Dia dos Namorados no Brasil

Amanhã é Valentine’s Day aqui nos Estados Unidos. Como no Dia dos Namorados no Brasil os casais trocam delicadezas como chocolates e flores, e até presentes sofisticados como joias e viagens românticas. Mas o que eu mais curto neste dia é a troca de cartões entre amigos e parentes que os americanos fazem, principalmente as crianças.

Os americanos usam esta data para declarar carinho e apreciação a todos que amam, não apenas aos seus parceiros românticos. No seu livro Minha Vida na França – “My Life in France”, Julia Child conta que ela e seu marido, o diplomata Paul Child, escolheram este dia para manter contato com os familiares que viviam nos Estados Unidos, e com os amigos que fizeram em suas viagens pelo mundo. Eles eram extremamente caprichosos e seguindo a tradição americana de fazer os cartões manualmente, chegavam a montar altas produções fotográficas para decorar seus valentines. Os cartões de Valentine’s Day são chamados valentines, uma paquera também pode ser chamada de valentine, no Valentine’s Day namorados e casados chamam seus parceiros de valentine, ou seja, valentine é uma palavra coringa amplamente utilizada não somente no Valentine’s Day mas nas semanas que o antecedem.

Nas escolas as crianças do primário (elementary school) levam bilhetinhos com algum docinho ou bombom para todos os coleguinhas de classe. Semanas antes da data as crianças decoram caixas de sapatos e levam para a escola para guardar seus valentines, e as professoras enviam listas com os nomes de todos os amiguinhos para as crianças não esquecerem de ninguém. E é claro que as crianças também entregam valentines aos seus professores.

Olha só que graça essa idéia de caixa para valentines da Crissy's Crafts

A partir do ginasial (middle school), os adolescentes não trocam valentines com todos os amigos; sabe como é, isso passa a ser coisa de crianças e eles são “adultos” demais para essas bobagens. Algumas meninas nessa fase ainda entregam valentines para as melhores amigas, mas não para os meninos, a não ser que sejam namorados, pois não querem ser mal interpretadas. Os meninos dessa idade porém, só entregam valentines às namoradas, ou para a menina que eles gostariam que fosse a namorada, coisa que exige muita coragem.

Aqui em casa eu ajudo minha pequena a decorar sua caixa de coletar valentines, e a preparar os catões para todos os amiguinhos; ajudo a minha mocinha com os seus cartões para as melhores amigas (ainda não temos paqueras sérias para considerar, mas do jeito que vamos não demorará muito); e costumo fazer um jantar gostoso para toda a família. As vezes eu compro uma das sobremesas tentadoras em formato de coração que decoram as vitrines das padarias dos mercados. Para o marido? Um cartão, e quiçá as crianças irão cedo para a cama, assim poderemos assistir um filminho romântico abraçadinhos no sofá.

As Crianças Crescem, e as Tradições Mudam, Mas o Espirito do Natal Permanece

A casa já esta pronta para a festa.

No Brasil a noite do dia 24 de dezembro é amplamente celebrada. É na véspera do Natal que os brasileiros ceiam a trocam presentes. Aqui nos Estados Unidos os costumes são diferentes. Algumas famílias até se reúnem para um jantar em família, outras vão à missa, mas a grande celebração para as crianças acontece na manhã do dia 25. Pois durante a noite, enquanto as crianças dormem, o Papai Noel desce pela chaminé da casa (se a casa não tiver chaminé ele entra pela janela mesmo) com seu saco de presentes e os arranja ao redor da Árvore de Natal, então ele come o cookie e bebe o leite que as crianças deixam preparados numa mesinha próxima a árvore, e parte para a próxima casa. Não é de se espantar que ele seja tão fofo, bebendo leite e comendo cookies em todas as casa do mundo como faz.

Aqui as missas de Natal do dia 24 são bem lotadas. No dia seguinte, 25 de dezembro, a criançada acorda e pula da cama animadíssima, corre para a sala e se põe a abrir presentes. Após a abertura dos pacotes, toma-se um lauto café da manhã com ovos, bacon e panquecas, pula-se o almoço, e vai-se direto para o jantar, servido cedo. Os pratos principais são, em geral, peru, presunto defumado (aquele que chamamos de tender no Brasil), pato assado, e pequenas aves como perdizes. Os acompanhamentos tradicionais incluem algum tipo de geleia agridoce como a de cranberry, purê de batatas, legumes grelhados ao refogados, e saladas. E as sobremesas sempre incluem brownies e cookies para as crianças.

Quando nossas filhas nasceram decidimos manter nossos hábitos brasileiros. Então, aqui em casa enquanto as meninas acreditavam em Papai Noel, nós jantávamos tarde, meu marido escapava para se fantasiar de Papai Noel e quando eu levava as crianças para a sala ele estava lá sentado, suando, pois morávamos na Florida onde os invernos são quentes como os do Rio de Janeiro. Ele abria seu saco de presentes e chamava as meninas que se sentavam no colo dele e ficavam encantadas, nem davam pela falta do pai. Com os anos elas passaram a perguntar: “Cadê meu pai.” Até que se tocaram, e agora a família toda é Papai Noel para as crianças das entidades que nós ajudamos todos os anos.

Eu ensinei as meninas que o Papai Noel é uma representação do espirito de bondade e caridade, que todos que podem devem ter para com os que precisam, e não apenas nesta época. Assim, além das doações que fazemos no decorrer do ano, em dezembro cada uma das meninas adota uma criança do orfanato mantido pela escola onde elas estudam. É uma entidade muito especial chamada “My House – Minha Casa”, que cuida de crianças com problemas de saúde cujas famílias não tem condições de assumir, por falta de dinheiro e/ou de estrutura, muitas vezes essas crianças são tiradas das famílias por maus tratos, e são encaminhadas à “My House” por estarem subnutridas e com sérios problemas emocionais, quando se recuperam retornam às famílias ou são encaminhadas para um orfanato convencional. Pegamos a lista de necessidades de duas crianças e montamos os pacotes, que são entregues pessoalmente pelos alunos da sexta série, todos os anos.

As listas incluem itens básicos, como artigos de higiene pessoal, pijamas, meias e chinelos, e vai até brinquedos adequados à idade e ao desenvolvimento de cada criança. Para algumas crianças, com problemas de saúde mais graves, a entidade pede dinheiro para a compra de medicamentos e descartáveis, quando é assim, fazemos um envelope com o dinheiro. Em ambos os casos as crianças escrevem cartas para acompanhar os presentes. Desta maneira, meu marido e eu vamos ensinando nossas filhas a pensarem no próximo, e serem, elas mesmas, representantes do Papai Noel.

Torta de Frango com Cream Cheese

Esta torta é uma adaptação da torta de frango com massa podre tradicional brasileira que eu incrementei com cream cheese, queijo cremoso americano tipo Philadelphia.

Siga a receita deste link para massa podre, se estiver com pressa use a massa comprada de sua preferência.

Agora, o recheio é o segredo. Toda vez que faço canja de galinha eu cozinho dois peitos grandes de frango com pele e osso, juntamente com os legumes e o tempero para o caldo (a panela de pressão encurta bem o tempo de cozimento). Quando estiverem macios, retire ambos os peitos de frango da panela, desosse, descarte a pele e corte a carne em cubos pequenos. Devolva 1/3 da carne picada à panela, adicione o macarrão a ser cozido no caldo saboroso, e sirva com pãozinho francês e um bom queijo prato. Os 2/3 da carne reservados serão usados na torta.

Torta de Frango com Cream Cheese

Torta de Frango com Cream Cheese

Ingredientes:

2 colheres de sopa de azeite de oliva;

½ Kg de peito de frango cozido e cortado em cubos;

1 cebola média bem bicada;

1 colher de sopa de salsinha picada;

1 colher de sopa de manjericão picado;

3 tomates ralados em ralo grosso, ou bem picadinhos;

1 tablete de cream cheese Philadelphia ou da marca de sua preferência, mas não pode ser light.

Preparo:

Aqueça uma panela, acrescente o azeite e refogue a cebola, acrescente o frango, os tomates, a salsinha e o manjericão. Quando o refogado estiver borbulhando adicione cream cheese. Misture com frequência, e uma vez que o creme de queijo tenha derretido completamente, prove o refogado e ajuste o sal. Desligue o fogo e deixe esfriar.

Aqueça o forno a 190º C. Forre uma forma de torta (eu gosto das de vidro) com um dos discos de massa podre, despeje o recheio e cubra com o segundo disco. Use um garfo para pressionar as bordas. Bata um ovo e pincele o topo. Faça 4 cortes de uns 3 centímetros cada na massa para permitir que os vapores do recheio escapem e a massa fique assentada. Quando as bordas dourarem, após cerca de 15 minutos no forno, retire a torta do forno e forre as bordas com papel alumínio, e retorne-a ao forno por 15 a 20 minutos mais. Voilà!

Meu Primeiro Dia de Ação de Graças “Americano”

Apesar de eu ter mudado com meu marido para os Estados Unidos em Dezembro de 1997, durante nossos primeiros seis anos no país vivemos na Flórida, onde a maioria dos amigos que fizemos eram latinos. Portanto, nossos Dias de Ação de Graças eram passados entre mexicanos, cubanos, porto-riquenhos, etc., numa mistura de culturas e tradições familiares diversas. Sim, era servido peru assado, mas com sabor de América Latina. E os acompanhamentos variavam de “guacamole” e “feijões refritos” a “torta de choclo” e “plátanos”. E como todo latino é exagerado, não ficávamos só no peru, não, alguém trazia um pernil assado, e sempre havia “arroz com pollo” e umas “papas rellenas”. Somente quando nos mudamos para Atlanta em 2006, foi que eu participei do meu primeiro jantar de Thanksgiving tradicional americano.

Na mudança para Atlanta contamos com o apoio de um velho amigo do Flavio, que muito gentilmente, nos preparou uma pasta com informações sobre a região onde moramos. E assim que chegamos ele e sua mulher nos convidaram para um brunch em sua casa. Quando chegamos fiquei encantada com o capricho da nossa anfitriã, estava tudo tão lindo. Já havia frutas, em camadas com iogurte e cereais, servidas em taças de cristal sobre a mesa, que ela havia decorado com toalha bordada, porcelana fina e talheres de prata.

A minha filha mais velha tinha sete anos e a pequena apenas três. Você acha que eu consegui relaxar para desfrutar daquilo tudo? Claro que não. Eu fiquei em cima delas durante toda a visita, pois como o casal já tinha os filhos adultos, e nenhum neto ainda, além da mesa elegantemente servida, toda casa era muito bem decorada com lindos objetos sobre todas as mesinhas de centro e canto. Lembro de passar boa parte do tempo caminhando atrás da pequena, enquanto mantinha o ouvido na minha mocinha que conversava animada com a anfitriã, mas no fim tudo deu certo, ambas portaram-se bem, e eu voltei para casa aliviada.

Retribuímos o brunch com um jantar simples, porque nossa mudança foi entregue pela metade, e o segundo container só chegaria em três meses, pois havia sido enviado para a China por engano. Eu conto essa estória em outro artigo. No momento basta dizer que eu retribui um café da manhã servido em porcelana e cristal, com um jantar servido em descartáveis, porque meu marido insistiu que não podíamos deixar passar muito tempo sem retribuir a gentileza deles. Em minha defesa, preciso salientar que fiz o que pude. O importante é que durante o jantar aqui em casa, nós fomos convidados para o jantar de “Thanksgiving” na casa deles. E eles perguntaram para a minha mocinha se ela gostava de peru. E a fofa disse:

- I love turkey. Eu amo peru.

Assim mesmo, nos dois idiomas, bem enfática.

Pelo cuidado que eles tiveram quando serviram o brunch, imaginei como seria o jantar de Thanksgiving na casa deles, e mesmo assim me surpreendi. A decoração da casa havia sido incrementada com detalhes outonais, e móveis tinham sido remanejados para acomodar uma mesa gigante em forma de T que ocupava todo o espaço da ampla sala de jantar. E a família inteira deles estava presente, todos muito simpáticos, e adultos, nenhuma outra criança além das minhas meninas. Ninguém para nos solidarizarmos nos momentos embaraçosos.

A primeira coisa que nossa anfitriã disse após as apresentações de praxe foi:

- A Giulia adora peru. Venha Giulia, vou te mostrar seu prato favorito.

E lá estava, sobre a ilha da cozinha, o peru assado, pronto para ser servido.

A fofa não decepcionou, passou as mãozinhas sobre a barriguinha, fez carinha de entusiasmo e disse:

-Estou morrendo de fome.

Aguardamos a chegada de um casal de sobrinhos e então nos pusemos a transportar travessas de acompanhamentos típicos à mesa, purê de batatas e batatas doces assadas, gravy, legumes sauté, geleia de cranberry, cestos de pães, e o famoso peru. Quando fomos nos sentar, descobrimos que haviam nos dado a base do T, com dois banco altos para as meninas na ponta, o Flavio e eu, um de cada lado delas, tudo muito prático e bem pensado para cuidarmos das pimpolhas. Nessa disposição, a Giulia ficou bem de frente para o casal que sentou-se no meio da mesa do lado oposto de onde estávamos.

Nosso anfitrião levantou-se, destrinchou o peru e todos começamos a passar os pratos de mão em mão servindo o que estivesse a nossa frente na maior animação, tipo jantar em família, até que todos tivéssemos um pouco de tudo a nossa frente. Foi feita uma oração em agradecimento as nossas bençãos e começamos a comer. A Giulia atacou o purê de batatas com entusiasmo, e num destes momentos mágicos, onde várias coisas acontecem ao mesmo tempo, e precisamente quando não deveriam, a mesa ficou em silencio com todos mastigando, ela provou o peru, e nossa anfitriã perguntou em voz alta para ser ouvida desde o outro lado da mesa:

- Você está gostando da comida Giulia?

E ela respondeu igualmente em voz alta, praticamente gritando:

- O purê está bom, mas eu não gostei do peru não, eu prefiro o da minha mãe.

Geleia de Cranberry

Caro leitor(a), acho que fiquei da cor da geleia de cranberry.

Thanksgiving – Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos

Este é o feriado nacional mais celebrado nos Estados Unidos. Apesar do nome parecer indicar uma data religiosa, esta é na verdade uma celebração histórica. Todos os americanos, independente de suas religiões, comemoram a primeira colheita de sucesso dos peregrinos do Mayflower.

Em 1621, os colonizadores de Plymouth e os índios Wampanoag compartilharam uma “festa da colheita de outono” que é reconhecida hoje como uma das primeiras celebrações de Ação de Graças na colônia americana. Por mais de dois séculos, o Dia de Ação de Graças foi celebrado individualmente pelas colônias e estados. Não foi até 1863, no meio da Guerra Civil Americana, que o presidente Abraham Lincoln proclamou o Dia de Ação de Graças nacional, que passaria a ser celebrado na última quinta-feira de cada novembro. Em 1941 o congresso americano mudou a celebração da última para a quarta quinta-feira de cada novembro.

Neste dia os americanos agradecem suas bençãos com uma refeição em família, que tradicionalmente inclui peru assado, stuffing (um tipo de farofa feita com cubos de pão torrado), purê de batatas, gravy (um molho grosso feito das raspas da assadeira do peru), algum legume da preferência da família ao forno, como vagem, aspargos ou couve de Bruxelas, gelatina de cranberry (não me pergunte por que, eu até compro pronta e ponho na mesa, mas aqui em casa ninguém gosta),e também é comum servir-se batata doce assada ou em purê. Como sobremesa são servidas tortas de maçã, de cereja, e principalmente de abóbora, entre outros doces acompanhados de café e chá.

Surpreendentemente este é o feriado em que os americanos mais viajam para estar com a família, e não o Natal como no Brasil. As passagens aumentam de preço, e mesmo assim os aeroportos ficam insuportavelmente lotados.

Vivendo aqui há tantos anos meu marido e eu adotamos o feriado, e nos sentamos para agradecer nossa saúde, nossa prosperidade e a união da nossa família, e para celebrar os frutos dos nossos esforços. Minhas filhas nasceram aqui, e quando eram menores faziam listas de agradecimentos na escola e traziam para casa, era uma graça. Obrigada Papai do Céu pelo papai, pela mamãe, pela Pipoca (nossa cachorrinha), pela minha casa, pelos meus brinquedos, pelas minhas vovós, pelos meus vovôs, pelos meus primos, pelos meus amiguinhos, pelos meus tios, porque a mamãe vai fazer pudim de leite e brigadeiro além de torta de abóbora, porque a mamãe concordou em pintar meu quarto de rosa (agora elas odeiam rosa), ah, e a mamãe mandou eu agradecer pela minha saúde.

Os colonizadores de Plymouth, Inglaterra – Raiz histórica do “Thanksgiving”

Em setembro de 1620, um pequeno navio chamado Mayflower partiu de Plymouth na Inglaterra levando 102 passageiros, incluindo uma variedade de separatistas religiosos que procuravam um novo lar onde eles pudessem praticar livremente sua fé, e outros indivíduos atraídos pela promessa de prosperidade e posse de terra no Novo Mundo. Após uma viajem traiçoeira e desconfortável que durou 66 dias, o navio ancorou perto da ponta de Cape Cod, extremo norte do seu destino pretendido, na foz do rio Hudson. Um mês depois o Mayflower cruzou a Baía de Massachusetts onde os peregrinos, como são comummente chamados aqueles colonizadores, começaram o trabalho de estabelecer uma aldeia onde hoje fica Plymouth, no estado de Massachusetts.

Durante o primeiro inverno, que foi brutal, a maioria dos colonizadores permaneceu a bordo do navio, onde sofreram de escorbuto, surtos de doenças contagiosas, e pela exposição ao frio. Apenas metade dos passageiros originais e dos tripulantes do Mayflower viveu para ver a sua primeira primavera na Nova Inglaterra. Em Março, os colonos remanescentes mudaram para terra firme, onde receberam a visita surpreendente de um índio Abenaki que os saudou em inglês. Vários dias depois, ele voltou com outro nativo americano, Squanto, um membro da tribo Pawtuxet que havia sido sequestrado por um capitão inglês e vendido como escravo. Ele conseguiu fugir para Londres e voltar para sua terra natal em uma expedição exploratória. Squanto ensinou os peregrinos, enfraquecidos por desnutrição e pelas doenças que os afligiram durante o inverno, como cultivar milho, extrair a seiva doce das árvores de bordo, pescar peixes nos rios, e evitar plantas venenosas. Ele também ajudou os colonos a forjar uma aliança com os Wampanoag, uma tribo local, aliança essa que perduraria por mais de 50 anos, e que tragicamente continua a ser um dos raros exemplos de harmonia entre colonos europeus e americanos nativos.

"The First Thanksgiving" (1915), by Jean Louis Gerome Ferris (American painter, 1863-1930)

Em novembro de 1621, após a primeira safra de milho bem sucedida dos peregrinos, o governador William Bradford organizou uma festa de celebração, e convidou um grupo de nativos norte-americanos aliados da jovem colônia norte-americana, incluindo o chefe Wampanoag Massasoit. Apesar de na época os próprios peregrinos não terem usado o termo “Thanksgiving” para o festival, que durou três dias, esta é considerada a primeira celebração do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos. Não há um registro exato do cardápio do banquete histórico, mas Edward Winslow, um peregrino e cronista da época, escreveu em seu diário que em preparação para o evento o governador Bradford enviou quatro homens em uma missão de “fowling” (“fowling piece” é uma pequena arma apropriada para caçar aves e pequenos animais), e que os convidados Wampanoag trouxeram cinco cervos. Historiadores sugerem que a maioria dos pratos provavelmente foi preparada utilizando especiarias e métodos de cozimento tradicionais dos nativos americanos, porque os peregrinos não tinham forno. O estoque de açúcar do Mayflower tinha diminuído drasticamente até o outono de 1621, e portanto a refeição não deve ter incluido tortas, bolos ou outras sobremesas que fazem parte das celebrações contemporâneas.

Proclamação original de Abraham Lincoln estabelecendo a última quinta-feira de novembro como dia nacional de Thanksgiving

By the President of the United States of America.

A Proclamation.

The year that is drawing towards its close has been filled with the blessings of fruitful fields and healthful skies. To these bounties, which are so constantly enjoyed that we are prone to forget the source from which they come, others have been added, which are of so extraordinary a nature, that they cannot fail to penetrate and soften even the heart which is habitually insensible to the ever watchful providence of Almighty God. In the midst of a civil war of unequaled magnitude and severity, which has sometimes seemed to foreign States to invite and to provoke their aggression, peace has been preserved with all nations, order has been maintained, the laws have been respected and obeyed, and harmony has prevailed everywhere except in the theatre of military conflict; while that theatre has been greatly contracted by the advancing armies and navies of the Union. Needful diversions of wealth and of strength from the fields of peaceful industry to the national defense, have not arrested the plough, the shuttle or the ship; the axe has enlarged the borders of our settlements, and the mines, as well of iron and coal as of the precious metals, have yielded even more abundantly than heretofore. Population has steadily increased, notwithstanding the waste that has been made in the camp, the siege and the battlefield; and the country, rejoicing in the consciousness of augmented strength and vigor, is permitted to expect continuance of years with large increase of freedom. No human counsel hath devised nor hath any mortal hand worked out these great things. They are the gracious gifts of the Most High God, who, while dealing with us in anger for our sins, hath nevertheless remembered mercy. It has seemed to me fit and proper that they should be solemnly, reverently and gratefully acknowledged as with one heart and one voice by the whole American People. I do therefore invite my fellow citizens in every part of the United States, and also those who are at sea and those who are sojourning in foreign lands, to set apart and observe the last Thursday of November next, as a day of Thanksgiving and Praise to our beneficent Father who dwelleth in the Heavens. And I recommend to them that while offering up the ascriptions justly due to Him for such singular deliverances and blessings, they do also, with humble penitence for our national perverseness and disobedience, commend to His tender care all those who have become widows, orphans, mourners or sufferers in the lamentable civil strife in which we are unavoidably engaged, and fervently implore the interposition of the Almighty Hand to heal the wounds of the nation and to restore it as soon as may be consistent with the Divine purposes to the full enjoyment of peace, harmony, tranquility and Union.

In testimony whereof, I have hereunto set my hand and caused the Seal of the United States to be affixed.

Done at the City of Washington, this Third day of October, in the year of our Lord one thousand eight hundred and sixty-three, and of the Independence of the Unites States the Eighty-eighth.

By the President: Abraham Lincoln

William H. Seward,
Secretary of State

Bibliografia:

http://www.history.com/topics/thanksgiving

http://showcase.netins.net/web/creative/lincoln/speeches/thanks.htm

Por que Mitt Romney perdeu a eleição?

A contagem ainda segue, pois o sistema americano de votação é manual, mas os resultados já são incontestáveis. Obama ganhou com 303 contra 206 votos eleitorais, e até o momento (13:45 horário de Atlanta no dia 7/11) Obama conta com 50,4% dos votos populares válidos contra 48,1% para Romney, ou seja, uma diferença de 3 pontos percentuais nos votos populares. Para os padrões americanos, foi uma verdadeira lavada! Ou como eles dizem aqui: os republicanos levaram um shellack!

Harper Weekly 24-3-7 (02varvarawordpress.com)

Mas por que?

Na minha modesta opinião, simplesmente porque o pior cego é aquele que não quer enxergar.

Foi por isso que os Republicanos perderam a eleição presidencial ontém, além da lavada no senado e de várias emendas constitucionais estaduais, como por exemplo a legalização do uso medicinal da maconha em Massachusetts, e em Washington e no Colorado até para uso recreativo; e a derrubada da emenda constitucional estadual em Minnesota que dizia que casamento só pode ser lavrado entre um homem e um mulher.

Sem contar o discurso retrógrado que eles praticam, e as leis antiquadas que implementam:
- não cobrir custos para exames relacionados a saúde feminina, como ultrassom transvaginal, e não distribuir pílulas anticoncepcionais e camisinhas para a população carente;
- não apoiar a lei que determina que os salários de homens e mulheres exercendo o mesmo cargo devem ser equiparados;
- e com relação a imigração, implementando leis de imigração restritivas e preconceituosas nos estados onde são governo. Só para citar os mais óbvios.

Como consequência, Obama recebeu 93% dos votos dos african-americans, 71% dos latinos, 72% dos asiáticos, 55% dos votos femininos, e entre os jovens, que ao contrário das previsões votaram em massa, Obama recebeu 60% dos votos.

O Partido Republicano está parecendo a igreja católica se segurando em valores ultrapassados como a proibição do planejamento familiar; sem contar negação, enquanto a igreja diz que não existe padre pedófilo de verdade, foram apenas desvios, os republicanos dizem que os problemas das minorias não precisam ser enfrentados pois são apenas minorias, a política do “trickle down” dá jeito.

Romney recebeu 60% dos votos dos homens brancos casados, e 60% dos brancos católicos, na contagem geral ele ficou com 53% dos votos dos brancos.

O problema com estes números para o Partido Republicano é que a sociedade americana está cada vez mais diversa, e se eles seguirem tentando agradar somente os americanos brancos com renda alta, nunca mais ganham uma eleição.

allthingsdemocrat.com

Para quem lê em inglês este artigo vale a pena – As 10 principais razões para a derrota de Romney que conclui: The electorate has gotten wise to the Republican Party; they understand that they are radical conservatives — out-of-touch with the middle class. Ultimately, that’s why Romney lost. It indicates that no Republican presidential candidate would have been electable.

Chocolate Quente


Chocolate quente, feito com pó de cacau de qualidade ou pedaços de chocolate meio amargo derretidos, é uma bebida que eu sempre adorei, mas quando mudei para Atlanta, onde faz frio de verdade, este delicioso líquido que, na minha opinião, tem o poder de aquecer a alma se elevou a patamares mais sofisticados.

Aqui, assim como no Brasil, temos as opções infantis que eu particularmente acho doces demais, mas com o detalhe charmoso dos pequenos marshmallows que são jogados na caneca sobre a bebida.
É claro que as crianças amam esse detalhe e quando chega o inverno eu abasteço a despensa com sacos de mini-marshmallows e logo cedo no café da manhã, antes das meninas saírem para a escola, eu coloco uma meia dúzia de mini-marshmallows no leite quente com Nesquik delas. Parece bobagem, mas elas acham esta uma das curtições do inverno aqui, e aos olhos delas este pequeno toque transforma o leite de todos os dias em chocolate quente, e elas se animam para enfrentar o frio matinal.

Agora, o chocolate quente que eu aprecio não tem nada de infantil. Gosto de usar cacau em pó ou barras de chocolate, e incrementar com um toque café e bebidas alcoólica, como um bom conhaque ou um licorzinho
de cacau. Hum, só de escrever já estou com água na boca.

No Brasil eu costumava usar o Chocolate em Pó Dois Frades da Nestlé, ou a barra de chocolate meio amargo, também da Nestlé. Aqui nos Estados Unidos porém, um novo universo se descortinou. As opções são muitas e maravilhosas. Entre os meus favoritos estão: o Ghirardelly Double Chocolate, o Godiva Dark Chocolate Hot Cocoa, e este ano o queridinho da casa é o recém descoberto Starbucks Hot Cocoa Classic. Todas estas opções, mesmo quando usadas simplesmente de acordo com as instruções da embalagem, que usualmente manda adicionar duas colheres de chocolate para uma xícara de leite quente, são divinas. Mas para aqueles dias que você está afim de uma indulgência especial, aqui vai uma receita incrementada, especialmente para adultos.

Em uma caneca misture uma xícara de leite integral, meia xícara de creme de leite fresco (eu disse que era uma indulgência especial), e ¼ de xícara de açúcar (para quem gosta bem docinho, se você preferir mais para o meio amargo duas colheres medidas de sopa bastam). Acenda o fogo e vá misturando os ingredientes até um pouco antes do ponto de fervura (cuidado para não entornar o leite). Apague o fogo e acrescente uma xícara de lascas de chocolate meio amargo (se você vive nos Estados Unidos, use bittersweet chocolate chips). Se não for dirigir, acrescente de uma a duas colheres de sopa de conhaque, misture bem, prove e ajuste o açúcar e o conhaque se precisar. Sirva em duas xícaras, acrescente chantili e pó de cacau para decorar. Se for dirigir substitua o conhaque por meia a uma colher de chá de extrato natural de baunilha.

Chocolate Quente a Beira da Lareira, Hum...

Num dia de frio congelante, nada como acender a lareira e desfrutar de uma bebida assim, que aquece até a alma. Se tiver boa companhia então, melhor ainda.

Eleição 2012 nos Estados Unidos

Assim como no Brasil, e como a maioria dos meus amigos já devem saber, este ano temos eleição aqui nos Estados Unidos também, e o debate segue acirrado.

Porém, aqui não temos vários partidos, apenas dois:

o Republicano, partido conservador de direita, que propõe o corte de impostos das empresas, e dos empresários, e diz que o mercado deve ter a liberdade de se auto-regular, em linhas gerais os republicanos defendem os direitos das classes dominantes, eles pregam o “trickle down policy” que diz que se as classes dominantes estão bem, a riqueza vai “pingando para baixo”;

e o Democrata, partido liberal de esquerda, que é a favor de recolher mais impostos dos mais ricos para oferecer melhores serviços à população em geral, e acredita que o mercado financeiro precisa de regulamentação para não voltarmos a ter crises como a que passamos recentemente e da qual, na verdade, ainda estamos tentando sair.

Curiosidade: o símbolo do partido republicano é o elefante, e o do democrata é o burro.

O país é dividido, e as eleições costumam ter resultados apertados. Principalmente porque os republicanos enfatizam suas campanhas em valores conservadores que ressoam com metade da população, como leis contra o aborto e contra a união entre pessoas do mesmo sexo. E tem uma porção de americanos que pensam que os gays vão contra a vontade de Deus, e até que óvulos e espermas, mesmo que separados já constituem vida, pois é, tem um pessoal bem radical aqui, e que sabe fazer alarde.

Os democratas querem retirar isenções de impostos dos mais ricos, aproximadamente 2% da população de acordo com as declarações de impostos recentes. E durante seu primeiro mandato, o Presidente Obama repeliu a lei “don’t ask, don’t tell” para os gays que queiram servir no exército, e que quer dizer, se suspeitar não pergunte e é bom o fulano não se manifestar. Hoje em dia homens e mulheres gays podem servir o exército livremente, sem esconder quem são de verdade. Coisa assustadora para muita gente.

Os democratas também costumam ter uma visão mais aberta com relação a imigração, o que não cai bem com muitos americanos, mais ou menos metade de população. Enfim só com este poucos exemplos pode-se ter uma idéia da batalha acirrada que terá seu desfecho no dia 6 de novembro. Porém o resultado não sairá por vários dias, pois aqui ainda se conta boleta de papel.

Halloween e Trick-or-Treat nos Estados Unidos

Gatinha Charmosa e Manhosa

Desde que cheguei aos Estados Unidos, um dos feriados que eu mais curto é o Halloween com sua tradição do “Trick-or-Treat”, que eu traduzo aqui livremente como “travessuras ou gostosuras”. Todos os anos, na noite do dia 31 de outubro, as crianças se fantasiam de fadas e princesas, super heróis, piratas e ciganos, bruxas e magos, personagens de filmes e de vídeo games, e até de m&m’s, sabe os docinho de chocolate cobertos de casquinhas coloridas tipo o confete brasileiro que na verdade é cópia do m&m, enfim, elas se vestem do que a imaginação delas desejar, e caminham pelos bairros batendo de porta em porta para ganhar doces, e até para levar alguns sustos de moradores mais empolgados.

Doces, muitos doces para presentear à criançada do bairro.

Eu costumo incrementar a decoração do outono para o Halloween.

Aqui, lá pela terceira semana de outubro, todos nós decoramos as frentes das nossas casas e abastecemos o hall de entrada com tigelas, ou caldeirões de bruxa, com doces variados. E no dia 31, Halloween, lá pelas 6:00hs da tarde a campainha começa a tocar. Os primeiros a chegar são os menores, e portanto os mais fofos. Pais e mães trazem as fadinhas, princesas e super heróis de dois aninhos pelas mãos, e até bebês de colo em carrinhos, vestidos de ursinhos e outras criações fofíssimas. Adoro ficar em casa recebendo as crianças que gritam animadíssima “twick-or-twit” e estendem suas sacolinhas decoradas esperando que eu lhes dê um doce. Conforme a noite avança as crianças que batem na porta vão ficando mais velhas até que lá pelas 9:00hs da noite só passam adolescentes, que chegam a beirar os 20 anos, fantasiados de zumbis, múmias e vampiros, e carregando fronhas de travesseiros enormes.

Pipoca, nossa cachorrinha fantasiada de dragão, pronta para ir "Trick-or-Treating" com as crianças. Se bem que parece mais que o dragão a engoliu.

Até os animais de estimação entram na dança. Estima-se que 15% dos americanos fantasiam seus cachorros e gatos.  Segundo especialistas do setor, este ano os americanos deverão gastar 370 milhões de dólares em fantasias para os bichinhos. Imagina se minhas filhas não me convenceram a comprar uma fantasia para nossa cachorrinha ano passado. Mas eu já disse que este ano ela usará a mesma.

Meu marido e eu nos dividimos. tradicionalmente ele anda pelo bairro com nossas filhas acompanhando um grupo grande de vizinhos com a criançada da nossa rua, e eu distribuo os doces daqui de casa. Tem gente que monta mesa na frente das casas com as tigelas de doces e fica vendo a garotada passando fantasiada na rua. Como eu curto ouvir o “Trick-or-Treat” fico dentro de casa mesmo. Além do que, para mim, o fim de outubro já é um gelo. E é uma farra quando o grupo das minhas filhas passa por aqui. Obviamente, todas as crianças do grupo acham que devem ganhar mais doces quando passam pela porta de uma das famílias delas, e claro que eu não decepciono, e elas saem saltitantes de alegria contando vantagem.

Turminha animada, pronta para "Trick-or-Treating".

Alguns adultos se fantasiam junto com as crianças. Eu costumo me vestir de preto e colocar um chapelão de bruxa. Meu marido também se veste de preto e usa uma capa longa sobre os ombros. São apenas detalhes, mas que adicionam um certo ar divertido, e a garotada adora.

Pirata contando seus espólios.

Quando minhas meninas voltam para casa, ao fim da longa caminhada, nós jantamos e daí elas se põe a contar e classificar seus espólios entre doces favoritos, os que elas gostam um pouco, e os que podem ficar para o papai e a mamãe. Eu imponho racionamento para, literalmente, evitar dores de barriga, e elas podem comer dois docinhos por dia. Quando a quantia que elas trazem para casa é absurda eu separo uma grande parte e faço uma doação ao trabalhadores da loja do Exército da Salvação mais próxima, que ficam realizados.

Isto tudo sem contar as festas, desfiles de fantasia, e peças de teatro organizados nas escolas. Onde minhas filhas estudam até os professores lecionam fantasiados no dia de Halloween, as crianças amam este feriado.

O Halloween marca o início das celebrações de fim de ano nos Estados Unidos, pois vem seguido do Dia de Ação de Graças em novembro, e Natal e Ano Novo em dezembro. É um tal de por e tirar decoração temática que haja disposição, mas não deixa de ser uma curtição, principalmente com a participação das crianças.

Mas de onde vem o Halloween?

Samhain Lady

Halloween tem suas raízes no “Samhain”, um festival celta pré-cristão, que era celebrado na noite do dia 31 de outubro. Os Celtas que viveram há 2.000 anos na região que hoje abrange a Irlanda, o Reino Unido e o norte da França, acreditavam que os mortos voltavam à Terra durante o Samhain. As pessoas se reuniam para acender fogueiras, oferecer sacrifícios e prestar homenagem aos seus mortos.

Durante algumas das celebrações dos celtas no Samhain, os aldeões se fantasiavam com roupas feitas de peles de animais para afastar os fantasmas visitantes. Banquetes eram preparados e deixados em mesas ao ar livre junto com mantimentos, como oferendas para aplacar os espíritos indesejáveis. Nos séculos seguintes, as pessoas começaram a se vestir como fantasmas, demônios e outras criaturas malévolas, pregando peças pelas vilas em troca de comida, bebida ou combustível para a fogueira da aldeia. Este costume, conhecido como “Disfarce” – fantasia, remonta à Idade Média e é considerado uma das origens do “Trick-or-Treat” – travessuras ou guloseimas.

As primeiras raízes cristãs e medievais do “Trick-or-Treat”

Twelfth-night (The King Drinks) by David Teniers the Younger - During medieval England the Yuletide, or Twelve Days of Christmas, was part of a much longer festival that began back on All Hallow’s Eve.

Por volta do século IX o Cristianismo se espalhou por terras celtas, onde gradualmente se mesclou com os costumes locais e acabou por suplantar velhos ritos pagãos. Em 1000 dC, a Igreja designou o dia 2 de novembro como o “All Hallows Day” – traduzido para o português como Dia de Finados, uma data escolhida para honrar os mortos. As celebrações do “Dia de Finados” na Inglaterra pareciam-se com as celebrações celtas de “Samhain”, completas com fogueiras e fantasias. As pessoas pobres visitavam as casas das famílias mais ricas e recebiam doces chamados “bolos da alma” em troca de promessas de rezar pelas almas dos parentes mortos dos proprietários. Conhecido como “souling”, a prática foi posteriormente retomada por crianças, que iam de porta em porta pedir presentes tais como dinheiro ou comida.

Na Escócia e na Irlanda, os jovens participavam de uma tradição chamada “guising”, da palavra inglesa “disguising”, que significa literalmente disfarce. Eles se fantasiavam e iam de porta em porta recebendo oferendas de várias famílias. Mas ao invés de prometer orações para os mortos, eles cantavam uma canção, recitavam um poema, contavam uma piada, ou realizavam outro tipo de “truque” antes de receber uma prenda, que normalmente consistia de frutas ou moedas.

A Malhação de Guy Fawkes

Na Noite de Guy Fawkes após muitas festividades, queima-se um espantalho que representa o traidor de coroa.

Outra raiz potencial do “Trick-or-Treat” é o costume britânico das crianças colocarem máscaras e carregarem efígies enquanto implorando por moedas de um centavo na Noite do Guy Fawkes (também conhecida como “Bonfire Night” – noite da fogueira), que comemora a frustrada “Conspiração da Pólvora” de 1605, a conspiração Católica tinha como objetivo explodir o prédio do parlamento inglês matando o rei protestante James I e seus parlamentares que estariam em seção, iniciando assim um levante católico. Em 5 de novembro de 1606, Fawkes foi executado por seu papel na tentativa de conspiração. No primeiro “Dia de Guy Fawkes”, celebrado imediatamente após a execução do traidor famoso, fogueiras comunais, ou “fogos de ossos”, foram acesas para queimar efígies de Fawkes assim como os simbólicos “ossos” do papa católico. No início do século 19, as crianças saiam carregando efígies de Fawkes pelas ruas na noite de 5 de novembro, pedindo trocados.

“Trick-or-Treat” nos Estados Unidos

Dependendo de que país Europeu vinham os colonos americanos, eles celebravam o “Bonfire Night” – Dia de Guy Fawkes ou o “All Hallows Even” – A Noite Antes do Dia de Finados. Em meados do século 19 o grande número de novos imigrantes, especialmente aqueles que fugiam da fome da batata da Irlanda na década de 1840, ajudou a popularizar o Halloween, pobremente traduzido para o português como o Dia das Bruxas. Halloween vem da contração Hallowe’en que por sua vez vem de “All Hallows Eve” noite antes do “All Hallows Day” – Dia de Finados.

No início do século 20, as comunidades irlandesas e escocesas reviviam as tradições do Velho Mundo, “souling” e “guising”, nos Estados Unidos. No entanto, esta tendência foi radicalmente reduzida com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, quando as crianças tiveram que interromper a prática por causa do racionamento de açúcar.

Após a Segunda Guerra Mundial a geração do baby-boom (literalmente uma explosão demográfica do pós-guerra) formada por milhões de bebês nascidos entre 1946 e 1964, retomou o “trick-or-treat” no Dia das Bruxas, que rapidamente se tornou uma prática comum para milhões de crianças nos subúrbios recém construídos das cidades americanas. Sem o racionamento de açúcar, empresas de doces capitalizaram com o ritual lucrativo, através do lançamento de campanhas publicitárias nacionais destinadas especificamente ao Halloween. Hoje, os americanos gastam cerca de 6 bilhões de dólares anualmente no Halloween, fazendo deste feriado nacional o segundo de maior sucesso comercial no país.

Dip Grego de Espinafre

Spanakopitas

 

Esta receita de dip de espinafre é uma adaptação influenciada pelas deliciosas spanakopitas, salgadinhos gregos de massa folhada recheados com espinafre e queijo feta.

 

 

 

Ingredientes:

2 colheres de sopa de azeite de oliva;

¼ de xícara de cebola bem picada;

4 talos de cebolinha picados;

2 dentes de alho picados;

1 pacote de espinafre picado congelado;

2 colheres de chá de caldo de limão;

½ colher de chá de raspas de casca de limão;

1 pote de iogurte grego (se não encontrar use iogurte natural);

½ xícara de queijo feta picado;

sal e pimenta do reino a gosto.

Preparo:

Dip de Espinafre com Pão Sírio

Descongele o espinafre de acordo com as instruções da embalagem e depois aperte-o bem para remover todo excesso de água.

Em uma panela pequena aqueça o azeite e refogue a cebola e o alho por uns dois minutos. Acrescente o espinafre já escorrido e cozinhe por mais uns dois minutos, mexendo esporadicamente. Transfira o espinafre refogado para o liquidificador, e bata ligeiramente. Acrescente todos os demais ingredientes, menos o sal e a pimenta, e bata mais um pouco, até que todos os ingredientes estejam incorporados, mas não é para virar um creme. Despeje em um pote, ajuste o sal e, se desejar, acrescente pimenta do reino misturando bem. Sirva com pão sírio fresco ou torrado, e bom apetite!